Já havia um tempo que eu vinha me sentindo exausta da carga de informação e atenção que me demandava "estar ali". Mais de 100 mensagens acumuladas me davam ansiedade, pessoas performando uma vida que não tinham me deixavam enojada, uma grande rede tóxica e que não me agregava mais em nada. E depois que percebi que eu passava horas nesse freak show, resolvi dar um tempo e desativar.
Para algumas pessoas isso pareceu uma medida drástica e desnecessária – para mim, foi liberdade. E não estou sozinha nisso. Esse movimento de desconexão tem um nome que, até mês passado eu não sabia: ping minimalism.

A tendência também se manifesta no universo digital. Cada vez mais pessoas estão reduzindo o uso da tecnologia e adotando o chamado "ping minimalism" — prática que consiste em eliminar notificações desnecessárias dos dispositivos eletrônicos. A busca por menos ruído e mais desconexão digital ainda é vista por alguns como um ato de resistência, mas deve se tornar cada vez mais comum até 2027. Mais do que um simples hábito, será entendida como uma forma de autocuidado, estimulando consumidores a serem mais curiosos, presentes e afetivos.
Para quem se interessa por pesquisa de tendências e comportamento, sugiro ler o relatório "Future Consumer 2027" da WGSN, que fala exatamente de como as pessoas estão saturadas do universo digital, saturadas de terem o celular sempre ao alcance. Até para trabalhar nos tornamos reféns desses espaços digitais. E por isso mesmo, em algum momento, terei que reativar, mas não por agora. Quero primeiro continuar na construção de novos hábitos saudáveis de percepção do meu tempo e modos de captação de notícias e informações.
Para além das pesquisas, vejo muitos amigos também aderindo ao movimento, Muitos, como eu, que resolveram agir após um período de estresse intenso...às vezes, precisamos chegar aos nossos limites pra levar a sério a saúde mental, né?! afff kkkk (não recomendo, façam terapia)
Quando quero ler e saber de outras vivências, busco algo no substack. Recomendo muito! É um espaço para quem quer escrever sobre a vida, recomendar coisas e ser mais autêntico e verdadeiro. Aqui um post de mais uma cansada do Instagram e de tudo o que envolve essas redes artificiais.
Voltei a ler mais (livros, blogs, jornais, revistas), a meditar e me informar mais profundamente sobre o que acontece no mundo e assuntos do meu interesse, mas sem pressa, sem correr pra ser o primeiro a saber de tudo, sem alimentar minha ansiedade e deixar o meu tempo de tela ser maior que meu tempo presente. ♥︎
Nota:
Uma observação que quero deixar aqui: ao mesmo tempo em que esse movimento de redução do uso e necessidade de se mostrar presente digitalmente, houve um crescimento paralelo de como nos expressamos no mundo físico. Como as pessoas estão decorando suas casas com itens que não seguem uma tendência mas sim que façam sentido pra elas e reflitam quem elas são para o mundo REAL...e o mesmo na moda. Eu percebo que o maximalismo surge como uma resposta a tudo isso, para ocupar um espaço físico que parecia ter sido substituído pela demasiada atenção que demos por muito tempo para ser alguém em um espaço digital. Faz sentido?
Fiquem bem, bebam água e um cházinho quente neste inverno.