From Category: Inspirations

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025


Férias para uns, recesso para outros e trabalho para muitos! Mas, apesar da correria, dezembro e janeiro sempre trazem uma energia de recomeço e uma vontade de desacelerar um pouco. E, para aproveitar esse clima de ~ano novo, vida nova, quero sugerir alguns filmes para quem quer rir, chorar, refletir ou explodir a mente com plot twists insanos. Deixei as animações de fora propositalmente (pois farei um post dedicado só a elas) e tentei focar em filmes menos comerciais e que estão na minha lista de preferidos. Espero que gostem! ♥

1. Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Virtual (2011)
Direção: Gustavo Taretto


Esse filme é um abraço quentinho para quem vive em cidade grande e se sente meio sozinho. Ele traça um paralelo genial entre a arquitetura caótica de Buenos Aires e a vida amorosa dos protagonistas. É sobre "encontros e desencontros" e como a gente busca conexões sociais na era digital. É um deleite para os amantes da arquitetura.

2. Cinema Paradiso (1988)
Direção: Giuseppe Tornatore


Um dos meus filmes favoritos da vida! O humor dele é sagaz e me faz rir todas as vezes. Tudo gira em torno da relação entre um garotinho e o projecionista do único cinema da cidade, lugar que funcionava como o principal ponto de encontro e diversão dos moradores. Esse filme é um clássico e uma carta de amor à sétima arte.

3. Oldboy (2003)
Direção: Park Chan-wook


Atenção: esse aqui é para quem tem estômago forte! É um thriller coreano visceral e que me deixou em choque, acho que nenhum filme me deixou tão impactada quanto esse. Eu terminei o filme boquiaberta e passei dias digerindo a história!! Aqui vai uma sinopse curta pra não estragar a experiência: um homem é sequestrado e mantido em um quarto de hotel por 15 anos sem saber o motivo. Depois desse tempo, ele é solto e tem 5 dias para descobrir a verdade e se vingar. Por favor, veja esse filme e me conte depois! Se você já assistiu, eu sei que você gostou! 

4. Nostalgia (1983)
Direção: Andrei Tarkovsky


Chegamos ao momento poesia visual. Andrei Tarkovsky é um dos cineastas que mais admiro, e tudo o que vejo dele me emociona pela profundidade e beleza crua. Nostalghia, minha porta de entrada para a obra desse mestre, acompanha um poeta russo na Itália devastado pela saudade de sua terra natal. Este filme é do tipo lento e de contemplação, uma jornada quase meditativa sobre memória, fé e o sentimento de pertencimento.

5. Viver a Vida (Vivre sa vie, 1962)
Direção: Jean-Luc Godard


Houve uma época na minha adolescência em que eu era obcecada pela Nouvelle Vague, e foi nesse mergulho que descobri esta obra-prima do Godard que nunca saiu dos meus favoritos. O filme é dividido em 12 capítulos e conta a história de Nana (interpretada pela icônica Anna Karina), uma jovem que sonha em ser atriz, mas acaba caindo na prostituição em Paris. Apesar do tema pesado, o filme com uma fotografia lindíssima e diálogos profundos sobre a existência.

6. Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (1988)
Direção: Pedro Almodóvar


O título já resume tudo! O filme é um caos colorido e maravilhoso, bem típico dos filmes de Almodóvar. Conta a história de uma dubladora que é abandonada pelo amante e, enquanto tenta encontrá-lo, a vida dela vira uma doideira só. É uma comédia frenética, exagerada e muito divertida sobre o descontrole emocional. 

7. A Criada (The Handmaiden, 2016)
Direção: Park Chan-wook


Esse aqui é do mesmo diretor de Oldboy, com uma pegada totalmente diferente MAS com certa assinatura dele (que não vou mencionar pra não dar spoiler). Ambientado na Coreia dos anos 30, mostra uma jovem contratada para ser criada de uma herdeira japonesa, fazendo parte de um plano para roubar a fortuna dela. O filme é um quebra-cabeça cheio de reviravoltas inesperadas e visualmente impecável.

8. O Ódio (La Haine, 1995)
Direção: Mathieu Kassovitz


Outro clássico do cinema, esse filme em preto e branco possui uma temática forte e ainda atual. Ele mostra um dia na vida de três amigos (um judeu, um negro e um árabe) provenientes da periferia de Paris logo após um tumulto violento contra a polícia. O filme ilustra de forma brilhante a marginalização e a tensão social causada pelo sistema.

"L'important, c'est pas la chute, c'est l'atterrissage"

9. Amores Expressos (Chungking Express, 1994)
Direção: Wong Kar-Wai


Esse filme me lembrou a atmosfera de Amélie Poulain, só que numa versão mais urbana e menos fantasiosa, embora também funcione como uma fábula moderna. Wong Kar-Wai nos leva para uma Hong Kong cheia de luzes neon, contando duas histórias paralelas que exploram o amor e a solidão. É pop, é melancólico e tem uma trilha sonora que vai ficar grudada na sua cabeça.

10. Monster (2023)
Direção: Hirokazu Kore-eda


Um filme japonês recente do diretor Hirokazu Kore-eda que é uma aula de empatia. A história começa com uma mãe preocupada com o comportamento estranho do filho na escola, acusando um professor de bullying. Mas o filme muda de perspectiva três vezes, revelando que a "verdade" depende de quem está olhando. É um filme tocante e que explora um tema sensível de uma maneira muito delicada e bonita. Por favor, assistam!  

11. Saneamento Básico, O Filme (2007)
Direção: Jorge Furtado


OLHA QUEM VEM LÁ! É A SILENE! Esse filme é uma verdadeira pérola do cinema brasileiro, combinando com maestria a comédia com crítica social. Moradores de uma pequena vila precisam de dinheiro para o esgoto, mas descobrem que só tem verba para cultura. A solução? Fazer um filme!. Não quero dar mais detalhes pra não dar spoilers mas o elenco inclui a Fernanda Torres, Bruno Garcia, Camila Pitanga, Lázaro Ramos e Wagner Moura.

12. Hundreds of Beavers (2022)
Direção: Mike Cheslik


Prepare-se para a coisa mais aleatória e engraçada que você vai ver. É um filme mudo (mas cheio de efeitos sonoros), em preto e branco, que parece um desenho meio Looney Tunes com um humor que é o tipo de humor que eu gosto, humor bobo na hora certa, sabe? É absurdo, caótico e genial ao mesmo tempo. Se assistir, me avisa o que achou!

13. Um Peixe Chamado Wanda (A Fish Called Wanda, 1988)
Direção: Charles Crichton


Se a meta é rir até a barriga doer, esse é o filme. Eu juro que eu tive que pausar porque eu tava chorando de rir (só de lembrar já começo a dar risada kkkkk). Resumidamente é uma trama de assalto onde todo mundo tenta trair todo mundo. Tem umas sacadas muito boas, e os atores brilharam muito na comédia.

E ai, conhecia ou assistiu algum deles? Já adiciona na sua listinha e me segue também no letterboxd pra ver minhas reviews de alguns filmes que já assisti: https://letterboxd.com/chryshadrian/ 

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Colagem digital feita pela minha amiga-irmã Bárbara Ortiz. Obrigada pelo lindo presente!


Você já se pegou lutando por algo tão grande, tão desafiador, que parecia impossível? Algo que te consome, te desafia, mas que, no fundo, você sabe que precisa tentar? Essa é a essência de um dos meus livros preferidos: O velho e o mar, de Ernest Hemingway, uma história que fala de coragem, persistência e das marcas que carregamos das nossas batalhas.

O livro conta a história de Santiago, um velho pescador cubano que, mesmo após 84 dias de pescaria sem pegar nenhum peixe, decide tentar mais uma vez. É então que ele encontra seu maior desafio: um gigantesco Marlim de quase 700 quilos. A luta entre eles é intensa, dura dias, e testa todos os limites de Santiago, tanto físicos quanto emocionais. Como leitora, eu conseguia sentir todo esse esforço, porque, apesar de ser uma história curta, ela é cheia de detalhes sobre esse momento dramático em alto-mar. Além de toda a dificuldade para manter o peixe preso e vivo, ainda surgem tubarões tentando tomar a conquista de Santiago. É aquela coisa: nada é tão ruim que não possa piorar.

E é aqui que a história transcende a pesca e vira uma metáfora da vida. Afinal, qual é o tamanho do Marlim que cada um está tentando salvar? Todos temos nossos "Marlins": sonhos, projetos, relações ou até a tentativa de sermos pessoas melhores. Inclusive nos apegamos a essas ideias, assim como Santiago se afeiçoou pelo Marlim. O triste é que nem sempre conseguimos trazer o troféu completo pra casa, às vezes, voltamos só com as marcas da luta. Mas é justamente essa batalha que nos define, que nos ensina algo. O que importa, no fim, não é só o que conquistamos, mas quem nos tornamos enquanto enfrentamos o mar. Santiago nos lembra que a verdadeira vitória não está no reconhecimento dos outros, mas na coragem de continuar, mesmo que o caminho seja árduo, pesado e cheio de predadores.

Lança o barco contra o mar
Venha o vento que houver
E se virar
Nada

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Eleanora Fagan Gough, conhecida pelo nome artístico Billie Holiday, ou Lady Day, é mais do que uma lenda da música. Com sua voz marcante e carregada de emoção, ela atravessou décadas e transformou o jazz em uma plataforma de luta e denúncia. Nasceu em 1915 e viveu uma infância difícil, sua mãe, uma adolescente solteira, não tinha condições de cuidar dela, e Billie foi enviada para um orfanato. Aos 10 anos, começou a trabalhar em bordéis e casas de show, onde sofreu abusos e foi vítima de violência sexual.

Aos 14 anos, foi presa por prostituição e, em sua juventude, enfrentou o racismo nas ruas de Nova York. Mesmo diante de tantos traumas, Billie não se deixou sucumbir. Sua trajetória antes da fama foi uma verdadeira luta pela sobrevivência, mas foi também o que a moldou como artista.

Billie transformou as cicatrizes da vida em arte, e sua música, além de revolucionária, se tornou uma poderosa ferramenta de denúncia. Ela não só enfrentou os preconceitos da época, como também usou da sua notoriedade para dar voz a todos aqueles que, como ela, eram invisíveis para a sociedade.

Sua interpretação de Strange Fruit foi um marco na música, denunciando o racismo brutal dos Estados Unidos e se tornando um hino de resistência, apesar de atrair a atenção da polícia, que a perseguiu por expor essas realidades.

Como mulher, ela rompeu barreiras em uma indústria musical dominada por homens, enfrentando machismo e preconceito até no próprio círculo de músicos. Mesmo em romances conturbados, que às vezes geraram situações de violência e sofrimento, ela usava sua vulnerabilidade como força, inspirando outras mulheres a seguirem sua trajetória.

Uma curiosidade fascinante é que Billie não tinha uma formação musical clássica e quase não lia partituras; sua arte vinha puramente de sua sensibilidade e da própria experiência de vida. Ela provou que a técnica nem sempre é o que define um artista, e sim a coragem de transformar a própria dor em voz. Lady Day não apenas deu ao jazz um rosto novo, mas também abriu caminho para a luta pela igualdade racial e de gênero, usando o microfone como sua maior arma.

Para quem quiser conhecer mais da história deste ícone, recomendo a HQ publicada pela editora Veneta, bem tocante, sucinto e explicativo. 

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

Quando a expressão "menos é mais" ganha todo o significado.

Noell Oszvald - Untitled #7, 2014. Fonte: The Hulett Collection


Nascida em 1990, Noell Oszvald é uma fotógrafa e artista visual húngara que traz ao mundo da arte um trabalho que, de tão minimalista, quase grita. Isso mesmo. É impressionante como as suas imagens conseguem transmitir tanta intensidade com tão pouco.
O que chama a atenção na obra de Oszvald é o que ela deixa de fora. Em seus autorretratos, ela apresenta figuras solitárias em cenários vazios ou abstratos, com ênfase em linhas geométricas e composições cuidadosas. O uso do preto e branco é uma marca do seu estilo, e é justamente essa simplicidade que o torna tão distinto: ao olhar, você sente algo, mas não sabe exatamente o que. É como um convite para o espectador interpretar e dar significado ao que vê, fazendo com que cada foto se torne um espelho de nossos próprios sentimentos.

Noell Oszvald - Untitled #19, 2019. Fonte: The Hulett Collection




Muitos comparam Oszvald a Francesca Woodman, outra fotógrafa que explorava temas como identidade e isolamento. Woodman, conhecida por suas criações poéticas e cruas, também usava o próprio corpo como elemento central em suas fotos. Mas enquanto Woodman trazia movimento e a sensação de algo efêmero, Oszvald constrói um universo quase imutável, onde o silêncio parece palpável. A arte dela é calculada, quase matemática, mas ainda assim profundamente emotiva.

Noell Oszvald - Untitled #1, 2013. Fonte: The Hulett Collection
Um ponto curioso sobre a fotógrafa é que, apesar do sucesso e do reconhecimento, ela mantém um perfil discreto. Em vez de compartilhar sobre si mesma, prefere que o público encontre nas suas imagens o que quer ver (ou sentir). É como se ela nos dissesse: "A arte está aí, faça dela o que você quiser." Essa escolha de abrir espaço para a interpretação é, sem dúvida, parte do charme de suas fotografias, por isso de suas obras não terem títulos.

Noell Oszvald - Untitled #4, 2014. Fonte: The Hulett Collection
Noell Oszvald - Untitled #2, 2014. Fonte: The Hulett Collection


Noell Oszvald - Untitled #3, 2013. Fonte: The Hulett Collection
Noell Oszvald - Untitled #10, 2015. Fonte: The Hulett Collection





Se você ainda não conhecia a Noell Oszvald, vale a pena mergulhar no universo dela tão único, meticuloso e belo que nos faz refletir, inspirar e, claro, admirar. Mais fotos aqui, e o instagram da Noell. Sigam e apoiem esta artista incrível! ♡

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

Vista da exposição de Agnes Martin no Tate Modern em Londres. Foto: Tate Modern
O minimalismo criado pela artista canadense Agnes Martin (1912 - é um daqueles que trazem paz e tranquilidade só de ficar observando. Agnes foi uma das vozes mais enigmáticas e sensíveis da arte abstrata, deixando um legado que atravessa a alma.
Seu trabalho com grades meticulosas e paletas suaves, muitas vezes em tons de azul, rosa e amarelo pálido, tornou-se uma meditação sobre o vazio e o infinito. “Eu pinto de costas para o mundo”, dizia ela, reforçando que sua obra não era sobre o mundo material e seu excesso, mas sobre sentimentos universais e sublimes, como a alegria e a serenidade.
Gratitute (2001) / This Rain (1960)
Apesar de seu talento e reconhecimento, Agnes era marcada por um silêncio introspectivo. Diagnosticada com esquizofrenia, enfrentou internações e sessões de cura por meio de eletrochoques, uma realidade brutal da época. Após perder sua casa e ver seu círculo de amizades abalado, se isolou em Novo México, onde construiu com as próprias mãos uma casa de adobe.
Nesse período de silêncio e solidão, passou a explorar ainda mais profundamente sua relação com o vazio e a transcendência. “A arte precisa vir da inspiração”, dizia ela, e, assim, esperava pacientemente que visões surgissem à espera do próximo lampejo de inspiração
Untitled #1 (2003) / Untitled (1959)
Aos poucos, a simplicidade austera da vida de Martin começou a ganhar ares de lenda. Conhecida como a “mística do deserto” no mundo do minimalismo, ela cultivava uma existência afastada de bens materiais. Em suas palavras: “Quando você desiste da ideia de certo e errado, você não ganha nada. O que você consegue é se livrar de tudo.” O foco de sua vida, e de sua arte, era a renúncia do ego e a libertação de julgamentos, algo que refletia em suas palestras e na maneira como vivia.
On A Clear Day (1973) / Untitled #3 (1974)
Feminista declarada, Agnes não aceitava o papel submisso muitas vezes imposto às mulheres. Ela se afirmava e lutava pela autonomia, vivendo de acordo com sua própria visão, sem se submeter às pressões externas. Embora nunca tenha falado abertamente sobre sua sexualidade, ela manteve relacionamentos com outras mulheres, em uma época onde a homossexualidade era amplamente reprimida, principalmente antes dos movimentos LGBTQIA+.
A suas crenças espirituais também tiveram um papel central em sua vida e em sua produção artística. Profundamente influenciada pelo budismo e pelo taoismo, Agnes via a arte como uma forma de atingir um estado de conexão ainda mais profunda com o que é importante na nossa existência.
I Love Life (2001) / Untitled #10 (1990)
Aos 92 anos, sua jornada chegou ao fim. Foi sepultada, em segredo, debaixo de uma árvore de damasco, em uma noite de lua cheia, no jardim do Harwood Museum em Taos. Era um ato quase poético, à altura de sua visão de beleza: uma beleza que, como ela mesma dizia, é “inspirada e desapegada”.
Lindo, né?! Acho a Agnes uma inspiração e queria trazer um pouquinho dela aqui para quem mais gosta de arte e queira conhecer mulheres que muito contribuíram com sua sabedoria e sensibilidade para a história da arte.♡

Obra de arte é uma representação de nossa devoção à vida.
- Agnes Martin

Agnes Martin em seu estúdio. Foto: Michele Mattei/MoM

sábado, 26 de novembro de 2022

Vim compartilhar com vocês três vídeos que há uns 10 anos atrás eu vi em um site e desde então são minhas fontes de inspiração quando me indago se estou vivendo ou apenas sobrevivendo...A gente tem tanto pra conhecer e às vezes se limita por coisas tão pequenas, não é?! E não precisa ser provar um prato grego na Grécia, mas provar um prato de um familiar que usa um tempero diferente, ou aprender um hobby ou algo cultural com alguém próximo. O importante é sempre estar disposto a viver novas experiências e adquirir conhecimentos, pra mim esse é o maior combustível pra viver cada dia. 

EAT, MOVE e LEARN, é uma trilogia produzida por Rick Mereki, Tim White e Andrew Lees para a empresa australiana STA Travel Australia. Eles viajaram durante 44 dias por 11 países e gravaram e editaram os momentos de maneira tão linda e inspiradora que não importa quanto tempo passe eu ainda ficarei encantada com o quanto ainda podemos conhecer, provar e aprender. 



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