From Category: Inspirations
terça-feira, 3 de dezembro de 2024
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| Colagem digital feita pela minha amiga-irmã Bárbara Ortiz. Obrigada pelo lindo presente! |
O livro conta a história de Santiago, um velho pescador cubano que, mesmo após 84 dias de pescaria sem pegar nenhum peixe, decide tentar mais uma vez. É então que ele encontra seu maior desafio: um gigantesco Marlim de quase 700 quilos. A luta entre eles é intensa, dura dias, e testa todos os limites de Santiago, tanto físicos quanto emocionais. Como leitora, eu conseguia sentir todo esse esforço, porque, apesar de ser uma história curta, ela é cheia de detalhes sobre esse momento dramático em alto-mar. Além de toda a dificuldade para manter o peixe preso e vivo, ainda surgem tubarões tentando tomar a conquista de Santiago. É aquela coisa: nada é tão ruim que não possa piorar.
E é aqui que a história transcende a pesca e vira uma metáfora da vida. Afinal, qual é o tamanho do Marlim que cada um está tentando salvar? Todos temos nossos "Marlins": sonhos, projetos, relações ou até a tentativa de sermos pessoas melhores. Inclusive nos apegamos a essas ideias, assim como Santiago se afeiçoou pelo Marlim. O triste é que nem sempre conseguimos trazer o troféu completo pra casa, às vezes, voltamos só com as marcas da luta. Mas é justamente essa batalha que nos define, que nos ensina algo. O que importa, no fim, não é só o que conquistamos, mas quem nos tornamos enquanto enfrentamos o mar. Santiago nos lembra que a verdadeira vitória não está no reconhecimento dos outros, mas na coragem de continuar, mesmo que o caminho seja árduo, pesado e cheio de predadores.
Lança o barco contra o mar
Venha o vento que houver
E se virar
Nada
quarta-feira, 13 de novembro de 2024
Quando a expressão "menos é mais" ganha todo o significado.
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| Noell Oszvald - Untitled #7, 2014. Fonte: The Hulett Collection |
Nascida em 1990, Noell Oszvald é uma fotógrafa e artista visual húngara que traz ao mundo da arte um trabalho que, de tão minimalista, quase grita. Isso mesmo. É impressionante como as suas imagens conseguem transmitir tanta intensidade com tão pouco.
O que chama a atenção na obra de Oszvald é o que ela deixa de fora. Em seus autorretratos, ela apresenta figuras solitárias em cenários vazios ou abstratos, com ênfase em linhas geométricas e composições cuidadosas. O uso do preto e branco é uma marca do seu estilo, e é justamente essa simplicidade que o torna tão distinto: ao olhar, você sente algo, mas não sabe exatamente o que. É como um convite para o espectador interpretar e dar significado ao que vê, fazendo com que cada foto se torne um espelho de nossos próprios sentimentos.![]() |
| Noell Oszvald - Untitled #19, 2019. Fonte: The Hulett Collection |
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| Noell Oszvald - Untitled #1, 2013. Fonte: The Hulett Collection |
sexta-feira, 8 de novembro de 2024
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| Vista da exposição de Agnes Martin no Tate Modern em Londres. Foto: Tate Modern |
O minimalismo criado pela artista canadense Agnes Martin (1912 - é um daqueles que trazem paz e tranquilidade só de ficar observando. Agnes foi uma das vozes mais enigmáticas e sensíveis da arte abstrata, deixando um legado que atravessa a alma.
Seu trabalho com grades meticulosas e paletas suaves, muitas vezes em tons de azul, rosa e amarelo pálido, tornou-se uma meditação sobre o vazio e o infinito. “Eu pinto de costas para o mundo”, dizia ela, reforçando que sua obra não era sobre o mundo material e seu excesso, mas sobre sentimentos universais e sublimes, como a alegria e a serenidade.
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| Gratitute (2001) / This Rain (1960) |
Apesar de seu talento e reconhecimento, Agnes era marcada por um silêncio introspectivo. Diagnosticada com esquizofrenia, enfrentou internações e sessões de cura por meio de eletrochoques, uma realidade brutal da época. Após perder sua casa e ver seu círculo de amizades abalado, se isolou em Novo México, onde construiu com as próprias mãos uma casa de adobe.
Nesse período de silêncio e solidão, passou a explorar ainda mais profundamente sua relação com o vazio e a transcendência. “A arte precisa vir da inspiração”, dizia ela, e, assim, esperava pacientemente que visões surgissem à espera do próximo lampejo de inspiração
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| Untitled #1 (2003) / Untitled (1959) |
Aos poucos, a simplicidade austera da vida de Martin começou a ganhar ares de lenda. Conhecida como a “mística do deserto” no mundo do minimalismo, ela cultivava uma existência afastada de bens materiais. Em suas palavras: “Quando você desiste da ideia de certo e errado, você não ganha nada. O que você consegue é se livrar de tudo.” O foco de sua vida, e de sua arte, era a renúncia do ego e a libertação de julgamentos, algo que refletia em suas palestras e na maneira como vivia.
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| On A Clear Day (1973) / Untitled #3 (1974) |
A suas crenças espirituais também tiveram um papel central em sua vida e em sua produção artística. Profundamente influenciada pelo budismo e pelo taoismo, Agnes via a arte como uma forma de atingir um estado de conexão ainda mais profunda com o que é importante na nossa existência.
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| I Love Life (2001) / Untitled #10 (1990) |
Lindo, né?! Acho a Agnes uma inspiração e queria trazer um pouquinho dela aqui para quem mais gosta de arte e queira conhecer mulheres que muito contribuíram com sua sabedoria e sensibilidade para a história da arte.♡
Obra de arte é uma representação de nossa devoção à vida.
- Agnes Martin
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| Agnes Martin em seu estúdio. Foto: Michele Mattei/MoM |
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